quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Silêncios Sísmicos p/a uma amiga virtual



Desnudas tua alma
deitas
nesta cama de cremosos
labirintos
líricos,
tecida pelas mãos dos
teus olhos esverdeados
e métricos;

temperarei teu corpo
com molho de tempestades
lívidas
caldo com nuvens acesas
melodias
cítricas;
pedaços de madrugadas
aveludadas
e cálidas;

adornarei teu corpo
com fatias de mansos
lampejos,
pitadas de cheiro verde
e gozo
doses de carinhos
estéticos
desvendando teus lábios
achocolatados e céticos.

e quando o sol abrir
suas pálpebras
mágicas,
novamente,degustarei
teu corpo
numa bandeja de sussurros
rítmicos,
num forno de suspiros
atávicos;

esculpindo minha língua
nas linhas deste templo
cáustico,
fazendo do meu café
da manhã
escultura de verões
míticos
banquete de harpas
adormecidas
com beijos de silêncios
sísmicos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A SAGA DA DOR (CEM LÉGUAS DE TORMENTOS)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ainda

Publico-me numa noite
obscura
meu desejo de morar
nas sombras
farto de estribilho fatídico
farto de ser maltrapilho
pilho meus nervos
no ostracismo das paragens

farto de versos pedras
fértil de desconsolos oblíquos
traço lépidos labirintos entre
estorvos e miragens

ainda pouco ruminei
destroços
ainda pouco cortei
lábios
ainda pouco esqueci
medos
grávido de ceticismo
acendo cigarro final

parcos são meus sonhos
entre pesadelos
perco meus sonhos
entre lamacentos ceutauros
desisto de mim e me desencontro.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

FLEXA INSANA


ARTE DE Marcia Poesia de Sá

Corpo infinito efêmero
exala
hálito de manhãs
suadas
dilúvios de saladas
cítricas
recheios de versos
temporal de musgos

tece sussurros
movediços súbitos

adormeço untado de salivas
mântricas;
espumas roucas regojizos
múltiplos

éden de chocolate rítmico
doces de ninfas no apogeu
dos silvos;
me atravessa feito flecha
insana;
banha meus olhos
de vinhos tintos
brandos
como serpente de inusitado
assombro
me faz de sopa com gemidos
ilícitos
desvirtuando minha alma
cândida.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

नेगोसिंतेस दे alma


Negociantes de almas

Meu poema transpira
entre cristais e cactos
expelindo melancólico
ruído de mágoas ;

o espaço se diluiu
dentro do tempo,
um abismo
se ergueu entre meus olhos!

Clamo por um abraço
um olhar de cumplicidade
uma dança um compasso

estou só entre milhões
de sozinhos
ilhas de túmulos
solidão em dasalinho

há um certo fingimento
asfalto rígido,desolamento
caldo de pesadelos
abocanhando sonhos
enxurradas de medos
e carinhos tristonhos

Com está difícil cozinhar
um poema,meu Deus !
e permanecer vivo entre
negociantes de
almas!
Como está duro ornar
um poema,meu Deus!
e não sucumbir aflito
entre esses negociantes
da alma.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

ESPELHOS

Que há no meu coração?
Jatos de horrores cíclicos;
oficina de almas enferrujadas?
Granizo,asmas e micoses;
avenidas de cirroses nuas
e cáusticas?

Dor corrosiva e culeiforme?
Luz mórbida e tormentas?
Semáfaros de lamas e silêncio
dose de acústica escuridão?

Não morra,ainda, poeta!No teu poema,há:
um abraço azul ;
risos de pipocas e lua doce;
taças de sorvete à milanesa;
crepúsculo por entre travesseiros
e anestésico de melão com framboesa
que dissolvem solidão e espantam sombras!

FORNALHA


Entre olhos fustigantes,trafegas,
parece uma garça de veludo e silêncio;
tens olhos de vagalumes
um riso de lavas hercúleas
e um jeito levemente aceso
de domar o mundo com frescor ,ternura
e abraços de hortelã;

Entre metáforas e verbos ardentes
fico imaginando teu corpo
numa taça de vinho e arrebol,
desejando tomá-la
num gole ecumênico!

Quando passas saborosa
e saliente
exalas um cheiro de lençóis
fadigados:
fazendo cócegas líricas
com essas coxas de espelhos
nos lábios ofegantes do meu poema.

domingo, 31 de agosto de 2008

CONFISSÕES

(Tela:Salvador Dali)

Vim confessar minha amargura:
queria fazer uns versos
que epinassem pipas
contassem estrelas;


desfolhassem desesperos;
fossem overdose de plumas
e ternura
aplacassem iras
ressucitassem
tuas manhãs;

Meu poema,amigo,
é rijo
maledicente
não canta como sabiás
opaca luminosidade,

é aguado e mordaz
não tem lírios nem
galos
anunciando alvorecer.

Perdoa-me por esse poema
raquítico,assombrado,acuado,
e sem vitrines,
embriagado de solidão
e dor
que tece o medo,borda agonia
e me consome de silêncio,frio
e desolação .

sábado, 30 de agosto de 2008

CONFISSÕES DE UM PAI


Olha filho,não mergulhastes
no meu leite,
nem fizestes labirinto de luz
no meu útero,

fui bailarino desafinado
e sem asas
canção de melodia escura,
guerreiro trêmulo
numa batalha sem prumo;
nas madrugadas assombradas
fui o último a sair do sono!

Uma sisudez, olhar ríspido
fala cortante,umas gotículas
de afeto/uma solidão fervente,
fui ,quem sabe, ilha deserta
fluindo e fugindo das tuas retinas;

sou doce/docemente displicente;
exalo ventos de azedume,

mas creias ,filho meu
no subterrâneo do meu peito,
e nas vértebras tácitas da minh'alma
habita um coração materno.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

POEMA


Se estás fragmentada
cola teus pedaços
nos olhos da noite;

dormes ouvindo um poema
que o silêncio esculpiu;
escutas o que tens pra te dizer,
amanhecerás inteira e ávida.

A vida,tu sabes /não é uma metade.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Indistinto


Sobre salivas movediças
lapido meus passos alquebrados,
eles enferrujaram antes do depois,

meus olhos calejados de horizontes
amorfos e sombrios,calam-se.

Abro a janela ,vislumbro
novas paisagens envelhecidas.

Quero correr,
o mundo é mais ágil e gelatinoso,
sento-me entre arestas e ruídos
sobre meu túmulo de papel crepon e eclipses.

POEMA


Alinhavo meus dias
com lama ,silício e rumores
sorvendo dores sobre o ombro
das horas;

o desespero se aloja
na minha medula.

Convido para irmos de mãos dadas
deslizar em oásis impoderáveis,
mas as mãos são feitas
de matéria fluída!

O mundo lânqüido e morfino escorre
por entre pedras quentes
e calejadas,

um grito canta estridentemente
silêncio de desacordo;
deito-me num sofá de brita
almoço uma certeza cética
adormeço sem fim nem recomeço.